Pular para o conteúdo

5 coleções de poesia: dicas de leituraLeitura em 3 minutos

Se você gostaria de ler mais poesia, mas não sabe por onde começar, o post de hoje traz algumas sugestões:

1. Nenhuma língua é neutra, de Dionne Brand 

Escrita por uma das principais autoras da diáspora caribenha, Nenhuma língua é neutra parte do pressuposto que a linguagem é também uma forma de demonstração de poder. Ao herdar um idioma carregado por ideais de dominação, Brand o transforma em veículo para a exploração de sua própria identidade e nomeia essas violências coloniais. Através da poesia, elabora a experiência feminina, negra e diaspórica em um movimento de cura e preservação da memória. O livro foi lançado no Brasil pela editora Bazar do Tempo. 

2. Time is a mother, de Ocean Vuong

Escrita a partir do luto advindo do falecimento de sua mãe, figura fortemente presente em sua obra literária, Time is a mother foi a segunda coleção de poesia lançada pelo autor. O texto é repleto de uma escrita muito intima e repleta de fragilidade, em que se elabora um entendimento sobre família, dor e amor. As poesias contidas na obra abordam cenas que precedem e que também elaboram a sua perda, o que traz ao leitor uma elaboração da instância do tempo e da brevidade das experiências humanas. Vuong eterniza a memória de sua mãe e sua vivência familiar em palavras, preservando os ensinamentos advindos da união e a trajetória de uma família de imigrantes.

3. The Crown Ain’t Worth Much, de Hanif Abdurraqib

A primeira coleção mais extensa de poesia de Abdurragin explora de forma energética as condições da vida urbana nos Estados Unidos. Seus textos exploram um interesse na cultura popular americana enquanto atravessam anos, vários processos de gentrificaçao e a própria vulnerabilidade humana. O texto segue uma certa sinfonia, com diversos temas e formas que exploram desde o início dos anos 200 até os meados da década de 2010. A conexão com a comunidade e o amadurecimento são explorados através da retratação de primeiras e últimas idas a concertos, festas de rua e a entrada na vida universitária, mas há também um tom reflexivo nessas experiências – que vão da celebração à tragédia – à medida em que também reúnem elaborações sobre a proximidade da morte e do luto, entre odes e elegias. 

4. Ghost of, de Diana Khoi Nguyen

“Ghost Of” explora o luto advindo da partida de seu irmão mais novo, cuja presença em sua memória é “perigosamente próxima da vida”. Através de fotografias de família e outras metáforas, são exploradas as complexidades do luto e de uma constante tentativa de entender ou preencher um vazio assustador. O sentimento de deslocamento e a persistência de tantas lembranças demonstra que não há limites claros entre a vida e a morte. A experiência da perda  traz consigo o surgimento de outros fantasmas: a experiência de refugiados, fragmentos de sua infância e o encontro com suas versões passadas. 

5. I CAN’T TALK ABOUT THE TREES WITHOUT THE BLOOD, de Tiana Clark 

Para a poeta Tiana Clark, nos Estados Unidos, árvores nunca serão apenas árvores. Elas sempre serão também uma fileira de forcas das quais corpos negros um dia balançaram. Essa é uma imagem da qual ela não pode escapar, assim como sugere o título da coleção: a paisagem física e psiquica do sul sempre estará associada a esse trauma coletivo. Nesse sentido, a coleção escrita por Tiana Clark interroga as consequências das práticas discriminatórias contra a população negra americana, em uma interrogação sobre o passado escravagista do país e as continuidades daquela violência na contemporaneidade. A autora divide seus escritos sobre a negritude e o apagamento sistemático em três seções: I cant talk, About the Trees e Without the Blood. 

 

Publicado por

É graduanda em Letras - Inglês e literaturas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e contribui com textos para o projeto de extensão Literatura Inglesa Brasil, do qual já participou como bolsista. Tem como principal interesse de pesquisa a literatura contemporânea, atuando sob orientação da Profa. Dra. Marcela Santos Brigida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *