Literatura Inglesa Brasil

Zadie Smith é a autora do mês de Julho do Literatura Inglesa Brasil

Nascida em 1975, em Londres, Zadie Smith é uma autora britânica que ganhou um grande destaque no mundo literário logo ao publicar seu primeiro romance. Seu trabalho é extremamente aclamado e a autora é tida como a voz de toda uma geração, tendo sido nomeada para o Booker Prize três vezes e listrada diversas vezes como um dos grandes nomes contemporâneos. Tendo em vista sua contribuição tão sólida para a literatura, principalmente no que tange a abordagem de temas como raça, religião e questões de identidade cultural, o Literatura Inglesa Brasil decidiu homenageá-la como a nossa autora do mês de julho.

 

Filha de um pai inglês e uma mãe jamaicana, Smith cresceu em uma família de classe trabalhadora em um subúrbio muito diverso. Esse contexto e sua vida entre diferentes culturas teve grande influência na sua formação humana, no seu auto entendimento e também um visível impacto nas suas obras. A autora sempre teve uma mente artística e criativa e ainda na infância, começou a escrever poemas e histórias e, aos 14 anos, adotou o nome pelo qual é conhecida até hoje (originalmente, de grafia Sadie). Já na vida adulta, em 1998, Smith se formou bacharela em Literatura Inglesa pela Universidade de Cambridge, e teve sua estreia literária em 2000, com a publicação de Dentes Brancos, romance que escreveu ao longo da sua graduação.

Vista como um gigante literário e cultural de diversos meios, a escritora não é apenas uma dos maiores autores britânicos contemporâneos como também uma referência intelectual ao redor do globo. Ela foi eleita membro da Sociedade Real de Literatura no Reino Unido apenas três anos depois de sua primeira publicação, e membro da Academia Americana de Artes e Ciências vinte anos depois, além de ter sido docente e residente de universidades e centros culturais dos dois países. Smith também é um grande e frequente nome de jornais e revistas culturais como The Guardian e The New Yorker, entre outros, escrevendo desde contos, ao que constitui importante parte de sua obra, os seus ensaios e resenhas críticas. Por isso, vale a pena a leitura das suas coleções de ensaios tais como Intimations (2020), que Smith escreveu em reflexão da pandemia de COVID-19 e do assassinato de George Floyd, e Feel Free: Essays cujos temas variam de mudança climática e o Brexit à conexão da música e da dança com a escrita e as subjetividades criadas na idade das redes sociais. 

No campo da ficção, Zadie Smith, frequentemente comparada a Charles Dickens por ser a grande cronista do nosso tempo, é tão proeminente no crescente movimento de autores britânicos de diáspora africana quanto entre autores contemporâneos mundiais. As obras da escritora acompanham a vida cotidiana e os dramas pessoais de seus personagens excêntricos, e pode-se notar que essas retratações trazem à tona questões sociais maiores que as complexas relações existentes na esfera doméstica. Essa captura vívida de uma realidade social é feita utilizando de diversos artifícios, como predições, diálogos ágeis e o uso de momentos de desconforto em meio às narrativas, em uma abordagem que permite o reconhecimento de vulnerabilidades e questões muito pertinentes nos debates da contemporaneidade.

A autora foi classificada duas vezes na lista da Revista Grata, publicada a cada nova década,  de autores britânicos abaixo de 40 anos de idade, refletindo a presença dela no mundo literário como tão adiantada quanto marcante. O processo de escrita de Dentes Brancos começou aos seus 21 anos, e o romance tornou-se um bestseller imediato ao ser publicado anos depois. Garantindo-a a comparação com Charles Dickens, o seu livro de estreia narra, num período de cinquenta anos, as vidas socialmente diversas de dois velhos amigos que se conheceram durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto o inglês Archie Jones sofre sérios problemas psicológicos na grande mudança na sua vida de ver sua esposa o deixar, o imigrante de Bangladesh Samad Iqbal, ao enfrentar dificuldades em adaptar a si e a sua família ao Reino Unido, obceca-se por sua árvore genealógica.

Também publicados no Brasil, dois dos seus maiores romances são Sobre a Beleza, uma comédia multicultural e transatlântica baseada em Howard’s End de E.M Foster cujo nome é retirado do ensaio “On Beauty and Being Just” de Elaine Scarry, e NW, que equipara-se ao sucesso instantâneo e a ambientação da segunda guerra de Dentes Brancos. Os dois livros foram recipientes de grande aclamação crítica e comercial, assim como seu romance de estreia e sua não ficção, todos posicionando o estilo de escrita e os temas históricos e socioculturais de Smith como tópico de discussão teórica e como uma referência para as novas gerações de escritores de diversas culturas.    

 

Para fechar o semestre com chave de ouro, que tal ler uma obra de Zadie Smith? 

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