Literatura Inglesa Brasil

Tony Tulathimutte é autor de julho do Literatura Inglesa Brasil

Nome promissor da ficção estadunidense, Tony Tulathimutte é um talentoso ficcionista e humorista, com obras que vêm ganhando grande destaque e prêmios literários. Sua escrita muito original reflete muitas questões da geração millennial, com uma forte presença da internet e do que significou ter crescido nela e sob a sua influência.

Nascido em Massachusetts e filho de imigrantes tailandeses, Tulathimutte se formou na Stanford University e no Iowa’s Writer’s Workshop, tendo começado a escrever em 2001. O autor passou mais de uma década aperfeiçoando suas habilidades de escrita, tendo sofrido diversas rejeições para publicação até conseguir levar seus textos à público. No que tange a seu processo de escrita, afirmou se interessar por transformar experiências pessoais em ficção, já que escrever diretamente sobre sua vida poderia parecer limitante ou trivial. Nesse sentido, Tulathimutte utiliza da ficção para compreender melhor suas próprias experiências a partir de certo distanciamento e da alteração de espaços, contextos e perspectivas, além de dar outras características aos seus personagens em pelo menos algum aspecto.

Tulathimutte escreveu para diversos meios literários e outras publicações, como The New York Times, The New Yorker, The New Republic, VICE, N+1 e The Paris Review. Seu romance de estreia foi muito prestigiado e descrito pela imprensa como um dos melhores livros do ano, enquanto sua obra mais recente foi definida como uma “sátira incandescente”.

Além de escrever livros e contos, o autor também atua como editor freelancer e ministrar aulas de escrita criativa em diversas universidades e workshops, sendo professor visitante na instituição no Iowa. O autor também tem o seu próprio curso sobre escrita criativa, tutoria em carreira e criação no Brooklyn, chamado CRIT.

A ficção de Tulathimutte atraiu certa atenção e fama, principalmente por realizar um comentário social sobre as subjetividades criadas no século XXI em enredos guiados por uma análise minuciosa dos personagens. Ele publicou um número de contos avulsos em sites e revistas literárias ao longo da década de 2010, postando na N+1 “O Feminista” em 2019, o seu conto mais famoso. Seu livro Private Citizens (2016), romance que introduziu Tulathimutte como um autor millenial, recebeu o prêmio Whiting, e a sua última obra, a coletânea de contos Rejection (2024), que foi desenvolvida com a publicação do seu conto mais famoso, foi semifinalista para o National Book Award. O autor também recebeu o prêmio O. Henry para seu conto de 2009, “Scenes from the Life of the Only Girl in Watershield, Alaska”.

Tulathimutte explora o humor e a angústia na narrativa, construindo um realismo contemporâneo que exausta dos rastros digitais de seus personagens, as suas rotinas domésticas, até a linguagem específica de suas expressões online. Já comparada à comédia de costumes, sua escrita ficou conhecida por se aprofundar em questões da consciência da geração, das implicações das pautas de justiça social, da inércia do trabalho, das problemáticas das relações com os outros e consigo mesmos. 

Em Private Citizens, nos meados dos anos 2000, um grupo de jovens recém-saídos da faculdade são forçados a viver por si mesmos enquanto adultos. A narrativa discute as diferentes conversas em torno da justiça social e da produção de conhecimento da academia no plano do cotidiano, nas relações deles consigo mesmos e com os outros. O romance desenrola-se em torno das implicações do panorama sociopolítico e econômico em suas vidas, retratando suas batalhas dos personagens de sobreviver e talvez transcender as barreiras que os engendram.

A coletânea de contos Rejeição também elenca um conjunto de personagens em relações consigo mesmos e com os outros, mas dessa vez se focando em suas vidas amorosas. Os contos discutem os efeitos de seus relacionamentos, e da falta deles, na maneira que eles percebem a si mesmos; acompanhando, ao mesmo tempo, os reflexos dos grupos sociais de que eles fazem parte e as discussões a respeito deles, em tanto espaços progressistas quanto normativos. Como marcado no trabalho de Tulathimutte, o conceito da identidade é aprofundado e problematizado no seu uso contemporâneo, experimentando recusá-la em um de seus personagens, e, em outro, comicamente exagerando o uso da linguagem dissidente para esconder fins reacionários. 

Tony Tulathimutte é um autor bastante relevante para pensar o impacto cultural e interpessoal da internet, as contradições na discussão de identidades marginalizadas e o contato dessas novas perspectivas contemporâneas com a alienação. O escritor destrincha essas questões e, fazendo isso, consegue realçar a situação da subjetividade e do desejo de seus personagens. A leitura de suas obras pode oferecer não apenas um destrinchamento de uma realidade que é parcialmente virtual, mas um estudo do Eu em meio a ela.

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