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T. S. Eliot é autor do mês de outubroLeitura em 4 minutos

Um influente autor que transitou entre as cenas modernistas inglesa e americana, T. S. Eliot escreveu uma grande variedade de obras, tendo trabalhado extensivamente tanto na crítica de arte quanto na produção literária: foi poeta, ensaísta, editor e também dramaturgo – com ambas produções intimamente conectadas em questão temática e ideológica. 

Nascido em St. Louis no ano de 1888 de uma família eminente de Boston, Eliot foi incentivado por sua mãe, uma ávida leitora de poesias, a estudar e se dedicar à leitura desde pequeno. O interesse foi fortemente aprimorado por seus estudos em colégios preparatórios na infância, onde já aprendia sobre grego antigo, latim, francês e alemão. Escreveu seu primeiro poema aos 14 anos, e o que produziu mais adiante foi fortemente marcado e permeado pelas influências literárias que teve contato durante seus anos de formação. Em Harvard, já na vida adulta, ele estudou o cânone da literatura europeia, mas foi na Inglaterra em que se desenvolveu mais na arte da escrita e onde se juntou à Ezra Pound, outro expatriado americano, na construção de sua carreira e desenvolvimento artístico. 

A sua obra é conhecida por dar vida ao Modernismo, junto à autores como Pound, William Butler Yeats e James Joyce, e ao New Criticism, que deu forma à muito da leitura e crítica contemporânea da literatura inglesa. Extremamente inovador e popular, Eliot acabou virando uma celebridade literária no período pós Guerra e foi laureado com o Nobel de Literatura de 1948 por sua “contribuição pioneira e excepcional à poesia contemporânea”, dentre outros prêmios acadêmicos internacionais. Eliot foi também recipiente de honras como a Ordem de Mérito do Reino Unido, da Medalha Presidencial da Liberdade dos Estados Unidos, e do título de Oficial da Legião de Honra da França.

A experimentação de Eliot da forma do poema com a fragmentação da modernidade entre-guerras, pondo em contraste diferentes vozes, tradições e discursos, foi emblemática para o movimento. O poeta foi pioneiro no uso do monólogo interior, explorando-o através de rima e dicção próprios, como na sua primeira publicação profissional e primeiro marco modernista de língua inglesa, “The Love Song of J. Alfred Prufrock” de 1915. Anos depois, o nome de Eliot se tornou internacionalmente consolidado com a publicação de “The Waste Land” em 1922, mesmo ano da publicação de Ulysses de James Joyce, conferindo juntamente o caráter e a convenção estilística do modernismo. Diferente da primeira, a segunda grande publicação reflete uma profunda desilusão provocada pela Primeira Guerra Mundial no Ocidente, que, juntamente com “The Hollow Men” de 1925, apontam para a mudança na escrita que veio com a conversão do autor para o Anglicanismo em 1927 — ano em que também conseguiu a sua cidadania inglesa. As três obras são consideradas uns dos poemas mais citados da língua inglesa.

Com a conversão para o Anglicanismo, a sua poesia tomou uma nova direção mais teológica, conservadora e tradicionalista, culminando na sua última publicação poética, considerada sua magnum opus, a série de quatro poemas Four Quartets. Lançada como livro em 1943, a obra foi o motivo principal para Eliot ser consagrado com o Nobel cinco anos depois. Com exceção do primeiro “quarteto” publicado em 1936, os poemas foram escritos durante a Segunda Guerra Mundial, sendo tocados por ela, meditando sobre temas espirituais, históricos, e metafísicos em relação à existência humana. 

Eliot publicava resenhas críticas e artigos desde 1916, passando de 100 publicações em 1921. Seu trabalho crítico examinava qual seria o papel do artista na sociedade, além de expor a ideia de que a poesia deveria representar as complexidades encontradas no mundo moderno através do experimento com a linguagem – questão temática de sua própria poética desconcertada com o ritmo acelerado do século XX. 

Encerrando a poesia depois de publicar Four Quartets, Eliot passou a concentrar a escrita de versos nos seus dramas, com a produção marcadamente musical de Sweeney Agonistes, que ele nunca chegou a terminar de escrever. Ele levou elementos da sua poesia para o teatro, como o próprio personagem Sweeney, a musicalidade já presente em algumas de suas obras como os Quartetos, e sua religiosidade, visto que suas peças também foram produzidas em forte relação com as comunidades cristãs inglesas. Como observado pelo dramaturgo sobre o lançamento e produção de seu segundo espetáculo The Rock, ele não era o autor da “peça” mas das palavras impressas no roteiro, a considerando um trabalho colaborativo com o direção de E. Martin Browne e a música de Martin Shaw, que os acompanharam nas produções de seus dramas até seu último The Elder Statesman em 1958. O autor foi vencedor do Tony Award pela produção da Broadway de The Cocktail Party em 1950; vencendo mais três pelo uso póstumo de sua poesia Old Possum’s Book of Practical Cats no adorado musical de 1981, Cats.

Publicado por

É graduando em Letras - Inglês/Literaturas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e bolsista do projeto de extensão Literatura Inglesa Brasil, sob orientação da Profa. Dra. Marcela Santos Brigida.

É graduanda em Letras - Inglês e literaturas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e bolsista do projeto de extensão Literatura Inglesa Brasil, sob orientação da Profa. Dra. Marcela Santos Brigida.

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