Literatura Inglesa Brasil

Poetas da diáspora caribenha: dicas de leitura

A imagem apresenta o mapa do caribe

Ainda que de extrema importância para o meio literário e para as reflexões do mundo contemporâneo, a literatura caribenha é pouco disseminada para o público geral, com alguns autores anglófonos mais conhecidos. Há uma imensidão de ilhas caribenhas que possuem o inglês como idioma principal e o idioma é também falado na Guiana, país que faz fronteira com o norte do Brasil. Para além dos domínios do inglês, no entanto, têm-se na literatura dessa região uma forte presença de línguas crioulas e elementos culturais da região

 

Burnett (1986, p. xix-xxiii) destaca ainda a poesia oral de vários poetas caribenhos, inclusive aquela produzida por escravos e pessoas anônimas desde o século XVIII, mas que foram passadas adiante através da tradição oral até chegar aos poetas performáticos de hoje. Ela considera a literatura caribenha não apenas regional, mas também internacional devido ao seu caráter cultural híbrido e por estar sendo explorada artisticamente tanto no Caribe quanto na Europa e nos Estados Unidos. O fato de o Caribe de língua inglesa situar-se histórica e geograficamente na interseção entre três tradições poéticas (a britânica, a da África Ocidental e da América do Norte) também é por ela mencionado como um dado que distingue essa literatura das demais.

(CRUZ, Décio Torres. Literatura (pós-colonial) caribenha de língua inglesa. p. 67)

 

A concepção de autor caribenho é muito ampla, não sendo composta apenas por pessoas nascidas e crescidas na região: por exemplo, muitas dessas vozes migraram para outros países ou neles nasceram, sendo filhos desses imigrantes. Esse movimento de formação de comunidades fora das fronteiras físicas do Caribe ficou conhecido como diáspora caribenha, por motivos sociais, políticos e históricos diversos. Como recomendações de leitura, o Literatura Inglesa Brasil trouxe cinco nomes da produção poética da diáspora caribenha:

 

     1. Geoffrey Philp

Ganhador de uma Silver Musgrave Medal in Literature pelo Instituto da Jamaica, Geoffrey Philp é um poeta, romancista e dramaturgo muito prolífico. Ele nasceu na Jamaica, onde frequentou o Jamaica College, mas se mudou para Miami no final dos anos 1970, onde reside atualmente. O autor escreveu duas coleções de contos, dois romances e três livros infantis, além de sua ampla coleção de poesia composta por 8 livros. Um de seus poemas, “A Prayer for my Children” está incluso no The Poetry Rail at The Betsy, uma homenagem feita à doze autores que moldaram a cultura e a literatura de Miami. A exposição conta com uma coleção de poemas antigos e atuais, impressos por jatos d’água em paineis de aço.

 

      2. Valerie Bloom

Nascida e criada na Jamaica, Valerie Bloom começou a escrever poesia ainda na escola primária, tendo até mesmo um poema publicado em um jornal do país. A autora imigrou para a Inglaterra em 1979, onde se formou e ganhou um título honorário de mestre pela Universidade de Kent. Publicou diversos livros de poesia e poemas infantis, dentre eles a coleção Touch Mi Tell Mi (1983). Sua obra evoca uma série de memórias, laços familiares e uma linda relação com a culinária jamaicana, além de abordar suas experiências na Inglaterra. Em meio ao inglês e o Patois jamaicano, Bloom entrelaça elementos das tradições orais, música e dança à forma da poesia, de uma forma muito particularmente caribenha, testando os limites entre a oralidade e a escrita.

 

        3. Grace Nichols 

Nascida na Guiana em 1950, Grace Nichols se mudou para a Inglaterra nos anos 1970 e lá que publicou a sua primeira coleção de poesia, I is a Long-Memoried Woman (1983), que mais tarde ganhou o Commonwealth Poetry Prize. A autora também ganhou o Guyana Poetry Prize em 1996 e o Queen’s Gold Medal for Poetry em 2021. Seus poemas e contos são muito influenciados pelo folclore guianense, pelos ritmos e demais elementos culturais caribenhos. Sua obra profundamente lírica mistura o inglês ao Crioulo para tematizar as diversas facetas da migração, mitos, espiritualidade e o feminino. Sua coletânea de poesia mais recente, Startling the Flying Fish (2006), tem como temática a história do Caribe.

 

       4. Dionne Brand

Nascida em 1953 na ilha de Trinidad e Tobago, Dionne Brand migrou para o Canadá na adolescência, onde construiu uma carreira muito prolífica que a fez conquistar diversos prêmios internacionais. A poeta, romancista, documentarista e professora, tratada ora como autora caribenha ora como canadense, reivindica ser apátrida. Recentemente, Brand teve uma coleção de poesia traduzida para o português pela editora Bazar do Tempo, intitulada “Nenhuma língua é neutra”. Na obra, ela discute e reivindica seu espaço na literatura enquanto uma mulher negra e lésbica, desafiando perspectivas coloniais com uma poética própria.  

        5. Fred D’Aguiar 

Fred D’Aguiar é um poeta, romancista e dramaturgo de ascendência guianesa. Nascido em Londres e criado na Guiana, escreveu diversas coleções de poesias que fundem o inglês padrão e a sua língua nacional, o inglês falado por pessoas do caribe. Ao voltar para a Inglaterra na sua adolescência, foi fortemente influenciado pelos debates políticos sobre negritude dos anos 1960 e 1970, e sua obra tematiza a sua posição entre duas culturas e os impactos do colonialismo. A sua primeira coleção de poesia, Mama Dot, foi grandemente aclamada e venceu o Guyana Poetry Prize.

Sair da versão mobile