Oyinkan Braithwaite é uma autora, contista e roteirista nigeriana e britânica. Seu primeiro romance A Minha Irmã é uma Serial Killer foi considerado um best-seller e ganhou traduções para mais de trinta línguas, além de diversas indicações. A obra ganhou o 2019 LA Times Award for Best Crime/Thriller e o prêmio de melhor livro do British Book Awards de 2020, também nesta categoria. Para além disso, foi listada para diversas premiações, dentre elas o The Booker Prize 2019 e o 2020 Dublin Literary Award, sendo finalista do Women’s Prize for Fiction 2019.
A autora nasceu em Lagos em 1988, tendo sido criada tanto na Nigéria quanto na Inglaterra ao longo de sua juventude. A autora relata ter tido muito contato com a literatura nestes anos formativos, tendo lido diversos clássicos. No entanto, já aos 19 anos, acabou percebendo que essa formação não a levou a criar tantos personagens negros, já que sua identificação costumava vir de outros pontos para além da raça. Ao perceber essa lacuna, a autora buscou conhecer mais obras de maior protagonismo ou de autoria negra e a explorar a negritude em sua própria produção literária. Dentre tantas influências artísticas que marcaram esse processo, Braithwaite menciona que Malorie Blackman a permitiu criar um maior contato com personagens negros e suas vivências.
Já na vida adulta, graduou-se em escrita criativa e em direito pela Kingston University, tendo trabalhado como editora assistente na editora independente nigeriana Kachifo após a faculdade, atualmente atuando como editora e escritora freelancer, além de escrever contos e obras mais extensas. A autora também desenvolveu projetos para a televisão, após seu romance de estreia ser cotado para uma adaptação cinematográfica, o que a ajudou a estabelecer-se como uma figura proeminente na cena de ficção criminal e na literatura contemporânea. Sua presença, marcada por um storytelling sombrio mas também detentor de comicidade, também é avivada por participações em festivais literários e cinematográficos em que discute literatura, escrita e demais trabalhos criativos. Atualmente, a autora mora em Surrey com seu marido e filha.
Em 2014, Braithwaite foi classificada no top 10 do concurso de poesia slam “Eko Slam Poetry”, organizada pela sociedade literária de Eko (apelido para o nome da cidade de Lagos) para prestigiar jovens escritores locais. A linguagem direta e curta dentro desse gênero de spoken-word acabou fluindo para as suas publicações, tornando-se uma marca registrada sua. No entanto, nem o estilo de Braithwaite, ou o que ela escreve (que acaba beirando a gêneros mais satíricos e aventurescos), faltam na arte de evocar sentimentos. Além da aparente secura da sua voz narrativa performar habilmente o humor ácido e sutil que a consagrou com seu romance de estréia, ela se mostra sensível com o retrato sincero do cenário emocionalmente vulnerável e complexo das personagens.
No mesmo ano em que ela foi classificada por sua poesia, Braithwaite foi autora de um dos contos de fantasia do segundo livro de antologia Naija, Ithaca – The Soul Eater que reuniu ela e outros escritores para releituras de contos do folclore africano. Em 2016, ela foi nomeada para o Common Wealth Short Story Prize, para contos ainda não publicados, pelo seu The Driver, uma narrativa já mais noir, que atraiu interesse editorial em Braithwaite. Mas o que tornou a escritora conhecida foi o romance Minha Irmã, a Serial Killer, que, como no livro anterior, também apresenta uma personagem feminina e nigeriana “comedora de almas”, mas trocando o folclore e o fantástico pelo cotidiano da vida real.
Apesar de, no título, serial killer chamar mais atenção, a história da assassina Ayoola é desenrolada pela perspectiva de sua amargurada irmã mais velha Korede, sendo a relação fraternal e feminina entre as duas tão importante quanto o aspecto thriller do romance. Os dois estão entrelaçados para explorar o contexto da (sobre)vivência feminina a que as duas irmãs estão submetidas no contemporâneo.
Em 2020, publicou online o conto de terror One Chance. Já em 2021, Braithwaite publicou O bebê é meu como parte da iniciativa Quick Reads, um programa do Reino Unido que publica livros curtos por preços acessíveis no suporte da caridade para pessoas com pouco nível de leitura. O conto beira mais ao mistério familiar e a uma comédia de erros, e é narrado por um personagem masculino, Bambi, que é enxotado de casa após a namorada descobrir sua traição. Em meio ao lockdown condicionado pela covid-19, só resta a Bambi a casa abandonada de seu tio recém-falecido, mas ao chegar lá, ele descobre que tanto a víuva e a amante de seu tio dividem a casa, cuidando de um bebê cuja mãe continua uma incógnita.
Seu mais recente romance, Filhas Amaldiçoadas (2015), que traz uma trama mais debruçada na fantasia (ou no jujuismo, como cunhado por Nnedi Okorafor), foi considerado um dos 100 livros africanos mais notáveis. Continuando a temática de problemas familiares relacionados às dinâmicas de gênero ambientada na cidade de Lagos, o romance segue a jovem Eniiyi Falodun, que nasceu no mesmo dia que sua tia Monife, a quem sempre lhe comparam, foi enterrada. A família das duas foi amaldiçoada: nenhum homem ficaria com uma filha Falodun. Nas maneiras de um coming of age, Eniiyi, ao se apaixonar por um rapaz, tenta viver, em vez de encarar o destino misterioso da sua tia.
Filhas Amaldiçoadas terá sua publicação no Brasil na próxima semana (12/03)! Por que não ler uma obra de Oyinkan Braithwaite na espera de seu mais novo romance e encontrar com uma escrita de humor inteligente, com enredos e reflexões interessantes e com o cenário pouco popularmente narrado da Nigéria?
