Literatura Inglesa Brasil

Linton Kwesi Johnson é autor de abril do Literatura Inglesa Brasil

Poeta britânico mais conhecido e ouvido da Poesia Dub e uma das primeiras vozes negras a ser publicada pela Penguin Press, Linton Kwesi Johnson é um nome conhecido pela recitação do próprio verso no Patois Jamaicano. A relevância e qualidade dos seus versos o concedeu a honraria Musgrave, entregue ao autor em 2005 pelo Instituto da Jamaica.

Nascido em 1952, na pequena cidade de Chapelton, Jamaica, Linton Kwesi Johnson emigrou para Londres ainda aos 11 anos. Ainda em seus anos de formação básica nas escolas londrinas, se juntou ao Movimento Pantera Negra, ajudando a organizar oficinas de poesia dentro do movimento. Esses anos foram importantes para o autor, que também desenvolveu seu trabalho com o grupo de poetas e bateristas Rasta Love durante a época. O autor cursou Sociologia na Goldsmith College, na Universidade de Londres, e recebeu em 1977 uma C Day Lewis Fellowship, tornando-se o writer-in-residence do Bairro de Lambeth, em Londres, daquele ano. Posteriormente, passou a trabalhar como Oficial de Recursos de Biblioteca e Educação no Keskidee Centre, o primeiro espaço dedicado ao teatro e à arte negra.

Johnson inaugurou a Dub Poetry, a performance da poesia mediada pela música jamaicana dub, subgênero do reggae. A poesia é performada juntamente com um número musical que reflete a própria musicalidade construída no verso. A música que acompanhava o poeta ajudava a situar o poema e o marcava.

No caso de Johnson, a relação da musicalidade de seu verso com a performance acompanhada pela música era também marcada pela presença de um vernáculo Jamaicano-Londrino no poema. O próprio patois Jamaicano, aqui marcado pelo inglês da classe operária londrina, ajudava a conferir às palavras a fluidez e ritmo no poema, tanto na leitura quanto na audição da escrita de Johnson. Além do manuseio dessa sonoridade, os poemas manteriam uma linguagem mais coloquial, buscando retratar uma voz em conversa, incorporando o meio radical de chamada para a ação de onde Johnson veio.

   
Segundo o autor, “escrever era um ato político e a poesia era uma arma cultural”, que se apresentaram como caminhos após o fim do Movimento dos Panteras Negras. Sua primeira publicação foi através da revista britânica Race Today, em 1974, com a coleção de poesias Voices of the Living and the Dead. Sua segunda coleção, Dread Beat An’ Blood, foi publicada  em 1978 por uma editora londrina igualmente marcada pela resistência anti-racista, e foi o seu álbum de estreia na banda The Poet and The Roots. A coleção e o álbum também deram o nome a um documentário sobre o trabalho do autor, lançado no mesmo ano. 

Nos dois anos seguintes, o autor lançou outros dois álbuns famosos, Forces of Victory em 1979 e Bass Culture em 1980, este contendo seu poema mais conhecido, que deu o nome ao seu terceiro livro, Inglan is a Bitch. A obra não somente registrou, como em outros dos seus trabalhos, a brutalidade policial e a realidade proletária e marginalizada da geração Winrush de imigrantes caribenhos, como não se escondeu de denunciar a força imperialista e Thatcherite por trás da violência.

Os textos do autor abordam os problemas de diferentes ângulos. Títulos como “Reality Poem”, “Mi Revalueshanary Fren” (que deu nome ao seu livro de poemas selecionados da Penguin Classics em 2002), “Di Eagle An’ Di Bear” , refletem as questões de ideologia, experiência e consciência de classe e opressão política e imperialista ao redor do mundo; obras como “Sonny’s Lettah (Anti-sus Poem)”, “Di Great Insohreckshan” e “It Dread Inna Inglan” já enfocam nos conflitos sociopolíticos e raciais sob o governo Thatcher, narrando contatos violentos e emblematizado mensagens de força.

Abrindo o seu “Reality Poem”, o verso Dis is di age af reality (esta é a era da realidade), descreve a própria poesia de Johnson, preocupada em relatar a contemporaneidade em seus problemas sociopolíticos. Ela aprofundou múltiplas gerações na resistência política ao aproximá-las, liricamente, de causas interseccionais contra a opressão socioeconômica e estatal. Johnson marcou populações negras através do globo, e sua poesia encarnou a própria demanda por uma mudança radical (“Freedom is avery fine thing”, como afirma o eu-lírico de “All Wi Doin is Defendin’”).

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