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O. Henry é o autor de maio do Literatura Inglesa BrasilLeitura em 6 minutos

Nascido na Carolina do Norte, O. Henry. (1862-1910) foi autor de uma variada seleção de contos que tratavam da vida cotidiana e suas particularidades, com certa ênfase na ilustração do cotidiano das pessoas comuns no bairro de Nova Iorque. Mais de 100 de suas histórias se passaram na cidade, grande centro para a sua efervescência criativa, na qual apenas passou a viver a partir de 1902. Sua escrita recebeu diversas traduções e adaptações para outros meios artísticos, e o seu nome foi concedido a um prêmio dado anualmente à contos de grande destaque. 

Antes de ficar conhecido por seu nome autoral e suas histórias, William Sidney Porter teve inicialmente uma vida mais pacata: ainda em sua cidade natal, estudou em uma escola bem familiar, na qual sua tia ministrava aulas, além de ter  trabalhado como farmacêutico, seguindo os passos do tio. No entanto, sua vida foi eventualmente marcada por uma série de mudanças, tanto de estado como de atividades profissionais. Após se mudar para o Texas, em 1882, atuou em diferentes ramos e eventualmente, próximo ao seu casamento em 1987, começou a fazer seus primeiros rascunhos literários. em 1894, escreveu para uma coluna humorística semanal e, no término desta atividade que acabou se provando insuficiente para basear o próprio sustento, realizou diversos trabalhos para o Houston Post como colunista e repórter. 

Uma acusação de peculato em um banco que trabalhou como contador e a morte de sua esposa em um espaço curto de tempo acabaram por mudar drasticamente os rumos da vida de Porter: o autor, quando localizado, cumpriu uma sentença de cinco anos  em uma prisão em Ohio, mas a sua pena foi eventualmente reduzida para três anos e três meses devido ao seu bom comportamento. O desvio da verba ainda tem motivações incertas: poderia ter sido resultado de uma tentativa de acabar com os prejuízos de sua revista, uma tentativa de encobrir alguém ou até mesmo resultados de deslizes na execução nos registros do banco.

Trabalhou como farmacêutico noturno no hospital da penitenciária, o que o permitiu escrever para conseguir dar suporte financeiro à sua filhinha, Margaret, que não entendia o real motivo da ausência do pai. A tentativa de esconder essa mancha em sua reputação pode ter motivado o autor a se estabelecer como O. Henry nas histórias publicadas naquele período. A alta popularidade destas (que retratam aventuras na américa central e no sudeste dos Estados Unidos) foi importante para o estabelecimento de sua carreira enquanto ficcionista. O ganho da liberdade e a mudança para Nova Iorque, onde teria perspectivas maiores na área, marcou um novo momento em sua vida: o autor produziu contribuições semanais à revista New York Sunday World, e ainda em 1904, publicou aproximadamente 70 histórias. 

Escrevendo durante a ascensão da forma literária do conto, O. Henry ficou célebre por meio dele, aprimorando sua própria fórmula. Como ele trabalhava ativamente como escritor para jornais e revistas, como a sua própria, muitos dos seus textos eram primeiramente publicados em jornais, como o The Cosmopolitan, The Saturday Evening Post ou o New York Sunday World. Sua escrita, uma vez chamada de “Broadway-ense”, se expressava de maneira conversativa e objetiva, ao mesmo tempo que artisticamente prolixa e irônica, por meio de um narrador que muitas vezes se referia diretamente ao leitor. Suas histórias mais conhecidas se desenrolavam no dia-a-dia dentro da desigualdade socioeconômica. Boa parte de seus personagens se tratavam de pessoas em luta constante para sustentar a si e seus familiares, fosse pelo trabalho, ou mesmo pelo crime.  O fim de suas maiores histórias seria marcado por uma reviravolta por vezes risonha, enfatizando uma “moral da história”. 

Cabbages and Kings foi seu primeiro livro, escrito ainda longe de Nova York, quando o autor havia fugido do seu julgamento para Honduras. Inspirado nessa experiência, juntamente do romance Through the Looking Glass de Lewis Carroll, sua primeira publicação consistia de uma coletânea de contos ambientados em uma chamada banana republic, termo que o autor popularizou, estendendo a perspectiva socioeconômica, em relação aos Estados Unidos, para uma cidade fictícia na américa central. Pelas histórias serem interligadas, o livro pode ser confundido por um romance, e o próprio O. Henry vem a indicá-lo como um Vaudeville, tipo de espetáculo da época em que personagens apareciam e desapareciam durante os atos. 

The Four Million, seu segundo livro, foi um dos seus mais conhecidos e emblemáticos. O título refere-se ao número de habitantes de Nova York, como resposta a uma fala de um jornalista contemporâneo afirmando que Nova York só tinha cerca de quatrocentas pessoas que valha a pena, sendo estas as mais ricas. Ambientada na metrópole, a coletânea retrata os desafios enfrentados pelas pessoas comuns, explorando o conflito de suas rendas financeiras com as ambições artísticas, a moralidade, o amor, entre outras questões. Como no primeiro livro, ela também contempla, de maneira ensaística, as contradições e particularidades do cenário sociocultural americano, e mesmo mundial, do início do século XX.

O seu trabalho desaguou em muito da cultura da primeira metade do século XX, alimentando muito do cinema popular da época. Nos Estados Unidos, além da série de filmes Hollywoodianos sobre o seu personagem Jimmy Valentine (que atravessaram a história fílmica, desde o cinema mundo até ser o primeiro título com som da Metro Goldwyn Mayer com diálogos), tiveram grandes produções, como a O. Henry Full House (Páginas da Vida no Brasil), consistindo de uma adaptação de um grupo dos seus contos mais conhecidos. Na União Soviética, onde quase havia mais leitores de Henry do que no país natal do autor, foi lançado o sucesso instantâneo de Strictly Business, também uma antologia de contos, uma minissérie musical de contos menos conhecidos The Truth That Bursts e ainda um filme experimental sobre sua escrita durante a prisão, The Great Consoler

Seus anos finais foram, apesar de muito produtivos e criativos, marcados por uma forte deterioração de sua saúde, problemas financeiros e alcoolismo. Sua ficção acabou por desenhar um retrato da vida americana no começo do século XX, podendo servir como uma ponte entre a literatura popular e a clássica renomada da mesma época. O autor foi apreciado e reconhecido na história do conto, influenciando muitos no gênero ao redor do mundo, mas foram principalmente as classes populares o seu maior público, deixando uma marca na cultura americana.

Publicado por

É graduando em Letras - Inglês/Literaturas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e bolsista do projeto de extensão Literatura Inglesa Brasil, sob orientação da Profa. Dra. Marcela Santos Brigida.

É graduanda em Letras - Inglês e literaturas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e contribui com textos para o projeto de extensão Literatura Inglesa Brasil, do qual já participou como bolsista. Tem como principal interesse de pesquisa a literatura contemporânea, atuando sob orientação da Profa. Dra. Marcela Santos Brigida.

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