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Sylvia Plath é a autora do mês de setembro4 min read

Nascida nos anos 1930 em Boston, Sylvia Plath foi uma poeta e romancista americana que ganhou um grande destaque na cultura popular com o seu romance A Redoma de Vidro (1963) e suas poesias.

A autora foi criada por sua mãe, que passou a ser a provedora da família após a morte de seu pai, quando tinha 8 anos. Desde essa época, Plath já mostrava ter um talento promissor: na mesma idade, teve seu primeiro poema publicado, tendo também participado de diversas premiações literárias ao longo da infância. Na adolescência, publicou alguns poemas em revistas e jornais importantes e foi aceita no Smith College, lugar essencial para a sua formação artística e acadêmica. Após um afastamento para o tratamento de questões mentais (que foram mais tarde ficcionalizadas em A Redoma de Vidro), a autora se formou na instituição e ganhou uma bolsa Fulbright para estudar em outra universidade na Inglaterra. Com o término de seus estudos, Plath lecionou inglês por dois anos na sua faculdade americana e retornou para a Inglaterra com o seu marido, onde publicou suas obras.

A escrita de Plath, uma das mais influentes do século XX, é o trabalho de uma arte incisiva, sendo criativamente honesta e renovando o fazer poético moderno. Ela é considerada a maior poetisa da literatura pós-guerra e um dos nomes principais do movimento confessionalista, junto ao escritores Anne Sexton (que ajudou Plath a direcionar sua escrita à partir do feminino) e Robert Lowell.

Sua primeira coleção de poesia a ser publicada foi The Colossus and Other Poems em 1960. Mesmo não sendo a mais popular do seu legado literário, recebendo críticas medianas para positivas em sua publicação, os poemas ainda refletem o artifício da autora, com imagens que se mostram unicamente nesses poemas. “The Colossus”, o poema-título, guarda profundas contemplações sobre a figura paterna e o que resta depois dela (“My hours are married to shadow”, diz um dos versos mais referenciados). 

Três anos depois, Plath publicou no Reino Unido o seu primeiro e único romance, A Redoma de Vidro. Considerado junto de Ariel uma grande força da literatura feminista e pós-guerra, o livro foi um sucesso instântaneo e continua bastante conhecido até hoje. Ainda que essa escrita tenha sido popularmente creditada à vida pessoal da autora, são também reconhecidas as questões do momento histórico vivido pela protagonista Esther Greenwood, além da exploração da escrita confessional no gênero do romance.

A narrativa segue Esther, uma jovem aluna de graduação que ganha um estágio numa revista literária feminina em Nova York durante o verão. Apesar da conquista, que a aproxima de realizar seu sonho de tornar-se poeta, ela é perseguida por problemas em relação ao seu próprio ser no panorama sociopolítico e cultural dos Estados Unidos de 1950. A redoma de vidro, que dá nome ao romance, é o que a persegue por conter em si a figura do “Anjo do Lar”, a maltratando a ponto de deixá-la internada em uma clínica psiquiátrica. Como Plath escreve na narrativa, a supremacia deste papel de gênero é tão presente que faz parecer que é o mundo fora da redoma de vidro que assombra Esther, e não o contrário.

As publicações póstumas também compõem fortemente o reconhecimento de Plath, com Ariel, a sua coleção de poesia mais conhecida, sendo lançada em 1965. Pondo o seu trabalho na consideração de muitos como um dos melhores da poesia moderna, ela recebeu o prêmio Pulitzer dessa categoria em 1989. Junto de A Redoma de Vidro, Ariel é sua obra mais conhecida e também precursora da poesia confessional que permanece presente nas novas gerações de poetas, adentrando mais ainda os assuntos sociopolíticos navegados no romance. A honestidade “chocante” e o uso penetrante da linguagem com as quais Plath examina a subjetividade, como no poema-título “Ariel”, em “Elm”, em “Daddy” e em “Mirror”, entre outros, definiram o legado da autora. 

Por isso, neste setembro, sugerimos a leitura de Sylvia Plath, cujo eu-lírico permanece refletindo e perfurando precisamente os tempos atuais.    

Publicado por

É graduando em Letras - Inglês/Literaturas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e bolsista do projeto de extensão Literatura Inglesa Brasil, sob orientação da Profa. Dra. Marcela Santos Brigida.

É graduanda em Letras - Inglês e literaturas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e bolsista do projeto de extensão Literatura Inglesa Brasil, sob orientação da Profa. Dra. Marcela Santos Brigida.

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